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Lucia Torres

IN CHANGE CONSULTORIA

VOCÊ ESTÁ SATISFEITO COM OS RESULTADOS COMERCIAIS DA SUA EMPRESA, AS ABORDAGENS DE MARKETING, OS MODELOS DE GESTÃO?

Consultora fala sobre a, ainda atual, problemática das diferenças entre homens e mulheres e pessoas acima dos 40 anos, no mercado de trabalho

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De acordo com pesquisa recente, do órgão SEADE – de fevereiro de 2019, “A Proporção de mulheres chefes de família cresceu de 27,5% para 33,1%, entre 2007/08 e 2017/18”; mas se analisados os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego da mesma Fundação, de março de 2018, as mulheres recebem o equivalente a 87% da remuneração recebida pelos homens. E ainda, segundo o IPEA, de junho de 2018, a taxa de desemprego entre as mulheres é de 15%, bem acima dos 11,6% dos homens”.

E esta realidade brasileira atinge outros setores. Segundo dados da Biblioteca Central – UFRGS, de fevereiro de 2019, “Nas Universidades, as mulheres representam 35% dos alunos nos cursos de ciências – o percentual é ainda menor nas engenharias e em tecnologia, não chegando a 28% do total”.

Segundo Lucia Torres, executiva da Consultoria In Change que viveu mais de 20 anos como executiva no mundo corporativo, em empresas nacionais e multinacionais, “As diferenças devem, precisam ser vistas como complementariedades e vão além da questão de gênero; envolvem questões de idade e raciais; ou seja, todo nosso arcabouço de experiências, que refletem a variedade da vida humana: Homens e mulheres pensam e agem de forma diferente e é este o grande desafio e grande oportunidade dos líderes de hoje; usar estas diferenças, que são, na verdade, complementariedades, para que haja um ambiente mais rico; da mesma maneira que colaboradores com mais de 40 anos podem e devem conviver com os jovens da geração millenium, sem precisarem provar, a todo momento, que ainda são capazes”.

Como gestora, Lucia acredita que ainda há muito para se chegar a patamares de reconhecimento por competência, independentemente de gênero: “Participei e participo até hoje de reuniões no Brasil ou fora dele, em que mais de 90% dos integrantes são senhores bem-sucedidos. (…) Existe a necessidade de reconhecimento do positivo que há, nas complementariedades. São as diferenças que contribuem para o enriquecimento da vida em diversos setores, como numa empresa, nas instituições públicas e na sociedade, simplesmente porque homens e mulheres, diferentes faixas etárias, pensamos diferente, sentimos diferente e agimos diferente!”

Lucia ainda acrescenta que, “mesmo a política no Brasil, estando bastante desacreditada, vem ocorrendo um movimento que tem atraído jovens e mulheres e é através de movimentos “mais amplos” que se pode chegar a grandes mudanças de comportamento humano”. – Segundo o Journal of Economic Behavior & Organization, de julho de 2018, “em 2016, no Brasil, as mulheres representaram 86% dos 18,5 mil candidatos que não receberam votos”.

Mulheres precisam fazer sempre um “algo a mais” para serem consideradas; profissionais acima dos 40 anos precisam provar a todo tempo que ainda podem.” (…) “O mérito está nas competências e é por elas, que cada colaborador deve ser avaliado”, complementa Lucia.

“O desemprego é tradicionalmente maior entre as mulheres. Ao lado dos jovens e da população negra, as mulheres são uma parte da população que é das mais afetadas, considerando as discriminações que ocorrem na nossa sociedade, o que resulta na falta de oportunidades no mercado de trabalho”. (Época Negócios, junho de 2018) … “(….) Se o desemprego já é maior, o comportamento da renda também deixa a desejar. O rendimento médio real feminino caiu 0,4% no primeiro trimestre, frente a igual período de 2017, enquanto o masculino teve alta de 1,7%.”

“Se vamos para locais mais periféricos, esta complementariedade fica, ainda, mais distante e o que vemos é a diferença e a discriminação.” (…) “Se esta mulher for mãe, então, multiplicamos em muito este desafio” – complementa Lucia – “pois muitas empresas ainda veem a idade da mulher, o fato de ser jovem ou recém-casada, como um ponto de atenção nas entrevistas.

É importante estarmos atentos a esta questão e levarmos estes pontos de análise para dentro das Universidades e Organizações. É preciso falar, abertamente, sobre este tema e é preciso que todos sejam conscientizados dos grandes benefícios para todas as esferas, inclusive a Corporativa, da complementariedade do trabalho de homens e mulheres, diferentes gerações e modelos de pensamento diferente. É a pluralidade que traz a complementariedade e torna todas as experiências e atividades ainda mais ricas. Completa Lucia.

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